Onde investir dinheiro parado? Guia de fundos
Saiba onde investir dinheiro parado, o que são fundos de investimento, quais os melhores em Portugal e como funciona a tributação no resgate.
Ter dinheiro parado numa conta pode parecer uma opção segura, mas, com o tempo, a inflação pode reduzir o seu poder de compra. Para quem tem poupanças que não pretende utilizar a curto prazo, existem várias formas de investir e procurar rentabilizá-las, desde fundos de investimento a outras soluções de poupança e investimento.<
No entanto, não existe uma solução que seja melhor para todas as pessoas, já que a escolha deve ter em conta o montante disponível, os objetivos financeiros, o prazo do investimento e o nível de risco que está disposto a assumir.
Neste guia, explicamos onde investir dinheiro em Portugal, o que são fundos de investimento, como funcionam e quais as principais opções disponíveis. Abordamos também a rentabilidade, os riscos e a tributação dos investimentos, para que possa perceber todos os fatores que deve considerar antes de tomar uma decisão.
Se tem uma poupança significativa e procura mais do que simplesmente deixar o dinheiro parado, o acompanhamento personalizado pode também ajudar a definir uma estratégia adequada aos seus objetivos e ao seu perfil de investidor.
O que é um fundo de investimento e como funciona?
Um fundo de investimento reúne o dinheiro de vários investidores e aplica esse capital numa carteira de ativos, como ações, obrigações, depósitos ou outros instrumentos financeiros. A gestão do fundo é feita por uma entidade especializada, que toma as decisões de investimento de acordo com a política definida para esse fundo.
Ou seja, ao investir num fundo, não vai estar a comprar diretamente cada ativo que faz parte da carteira, mas sim a adquirir unidades de participação que podem subir ou descer consoante a evolução dos ativos em que o fundo investe.
Esta diversificação pode facilitar a gestão das poupanças, mas não elimina o risco de perda. Para quem tem uma quantia significativa disponível para investir, também pode ser útil contar com acompanhamento profissional, em vez de tomar decisões com base apenas na rentabilidade apresentada por um fundo.
Tipos de fundos de investimento
Os fundos de investimento podem ser classificados de diferentes formas, de acordo com os ativos em que investem, com a estratégia seguida ou com a forma como os rendimentos são tratados.
Para quem está a começar a explorar estas soluções, é fundamental conhecer as principais categorias que ajudam a perceber onde é que o dinheiro pode ser aplicado e que tipo de exposição ao risco pode estar associado a cada fundo.
Fundos de ações, obrigações e mistos
A principal diferença entre estes fundos está no tipo de ativos que compõem a carteira.
Os fundos de ações investem sobretudo em ações de empresas e o seu valor varia consoante a evolução dos mercados acionistas, pelo que tendem a apresentar maior exposição ao risco devido a uma maior oscilação.
Os fundos de obrigações investem principalmente em dívida emitida por empresas, ou outras entidades, como o Estado, e o seu comportamento depende principalmente da evolução das taxas de juro e da qualidade de crédito dos emissores.
Já os fundos mistos combinam diferentes tipos de ativos (como ações e obrigações) numa mesma carteirae a proporção entre cada tipo de investimento depende da estratégia definida para o fundo.
Fundos imobiliários (FII)
Os fundos de investimento imobiliário aplicam o capital dos investidores em ativos relacionados com o setor imobiliário, como imóveis ou outros ativos na política de investimento do fundo.
Ao investir num fundo imobiliário, não está necessariamente a comprar um imóvel, está sim a adquirir unidades de participação num fundo que investe neste tipo de ativos.
Em Portugal, os fundos imobiliários têm um peso relevante no mercado de fundos. Segundo os dados mais recentes do Banco de PortugalVocê será redirecionado para outro site e ele abrirá em uma nova janela, representavam 37% do total das unidades de participação emitidas por fundos de investimento no final de 2025.
Fundos de índice e ETF
Os fundos de índice procuram acompanhar a evolução de um determinado índice, em vez de tentarem escolher investimentos que tenham um desempenho superior ao mercado.
Por exemplo, um fundo pode procurar acompanhar um índice que reúne ações de várias empresas e desta forma, o investidor fica exposto à evolução desse conjunto de ativos através de um único investimento.
Por outro lado, um ETF (Exchange Traded Fund) é um fundo que pode ser comprado e vendido numa bolsa de valores, tal como acontece com outros instrumentos financeiros. Muitos ETF seguem índices, embora nem todos tenham necessariamente essa estratégia.
Fundos de capitalização e fundos de distribuição
Esta distinção é mais simples e tem a ver com o que acontece aos rendimentos gerados pelo fundo.
Num fundo de capitalização, os rendimentos são reinvestidos no próprio fundo, isto é, em vez de receber esse dinheiro, o investidor mantém-no aplicado, e aumenta o valor potencial do investimento ao longo do tempo.
Num fundo de distribuição, os rendimentos podem ser pagos ao investidor, de acordo com as regras definidas para o fundo, nomeadamente, se a distribuição é total ou parcial, os critérios utilizados e a sua periodicidade.
Por isso, se procura uma solução que possa proporcionar rendimento periódico, um fundo de distribuição pode ser mais adequado do que um fundo de capitalização. No entanto, é importante não confundir distribuição com rentabilidade garantida, um fundo não garante que vai gerar lucro nem que fará pagamentos todos os meses.
Onde investir dinheiro em Portugal
Em Portugal, existem várias formas de aplicar as suas poupanças, e a escolha depende sobretudo do objetivo do investimento, do prazo e do risco que está disposto a assumir.
Pode, por exemplo, optar por soluções de menor risco, como depósitos a prazo, ou por alternativas com maior exposição aos mercados financeiros, como fundos de investimento, ações ou ETFs. Para além disso, existem também soluções ligadas à reforma, como os PPR, e investimentos imobiliários.
Se tem uma quantia significativa de dinheiro disponível e não sabe qual destas opções faz mais sentido para a sua situação, não precisa de tomar essa decisão sozinho. O ABANCA Personal Banking disponibiliza acompanhamento personalizado para clientes com recursos ≥ a 50.000 €, através de um assessor que ajuda a definir uma estratégia de investimento de acordo com os seus objetivos.
Como escolher o fundo de investimento certo para si?
Antes de investir, deve perceber para que quer investir, durante quanto tempo pode manter o dinheiro aplicado e que nível de risco está disposto a aceitar. A ESMAVocê será redirecionado para outro site e ele abrirá em uma nova janela e a CMVMVocê será redirecionado para outro site e ele abrirá em uma nova janela recomendam precisamente que o investidor comece por definir os seus objetivos antes de tudo, e procure uma solução que corresponda às suas necessidades.
Ao comparar fundos, vale a pena olhar para alguns pontos:
- Objetivo e estratégia - perceber em que ativos o fundo investe e qual é a estratégia seguida.
- Risco - verificar o nível de risco do fundo e se está de acordo com o que está disposto a assumir, pois um investimento com maior potencial de retorno pode também implicar maiores perdas.
- Prazo - alguns investimentos podem fazer mais sentido para objetivos de longo prazo, enquanto outros podem ser mais adequados a curto prazo.
- Custos - analisar as comissões e restantes custos associados ao fundo e ao serviço de investimento.
- Informação do fundo - antes de tomar uma decisão, deve consultar o Documento de Informação Fundamental, onde encontra informação relevante sobre o fundo, os seus riscos e custos.
Se tiver dúvidas sobre qual a solução mais adequada, não é obrigatório escolher sozinho. Para quem tem uma poupança significativa, o acompanhamento de um profissional ajuda a relacionar os investimentos com os restantes objetivos e património.
Se preferir delegar a gestão, existem também soluções de gestão discricionária de carteiras, onde uma equipa especializada gere os ativos de acordo com o seu perfil de risco.
Os fundos de investimento são seguros?
Um fundo de investimento pode ser uma forma de diversificar as poupanças, mas não é um investimento sem risco nem garante o capital ou uma determinada rentabilidade.
Isto significa que pode recuperar menos dinheiro do que aquele que investiu, sobretudo se vender as unidades de participação num momento em que o valor do fundo esteja abaixo do preço a que comprou.
O nível de risco, no entanto, não é igual em todos os fundos. Por exemplo, um fundo que invista principalmente em ações está exposto às oscilações do mercado acionista, enquanto um fundo que invista sobretudo em obrigações terá outros riscos, mais relacionados com as taxas de juro e a capacidade de pagamento dos emissores.
É importante reforçar que o dinheiro aplicado num fundo não funciona como um depósito bancário e não está abrangido pelo Fundo de Garantia de DepósitosVocê será redirecionado para outro site e ele abrirá em uma nova janela, que protege os depósitos bancários até 100.000 € por depositante e por instituição, mas não os investimentos em fundos.
Como funciona a tributação no resgate de um fundo de investimento?
Para um investidor particular residente em Portugal, o resgate de unidades de participação é considerado um rendimento sujeito a tributação em IRS. O Estatuto dos Benefícios Fiscais prevê para os organismos de investimento coletivo abrangidos pelo regime do artigo 22.º-AVocê será redirecionado para outro site e ele abrirá em uma nova janela, uma retenção na fonte a título definitivo à taxa prevista no artigo 72.º do Código do IRSVocê será redirecionado para outro site e ele abrirá em uma nova janela, aplicável aos rendimentos obtidos através do resgate.
No entanto, não é correto dizer simplesmente que todos os fundos são tributados da mesma forma ou que existe sempre uma taxa única de 28%, já que varia consoante o fundo e a situação do investidor. Por isso, antes de fazer o resgate, é importante confirmar o regime aplicável ao fundo em causa.
Como declarar fundos nacionais e estrangeiros no IRS
A forma de declarar o investimento depende se o fundo é nacional ou estrangeiro e de existir ou não uma entidade portuguesa responsável pela retenção do imposto.
Nos fundos nacionais, quando existe retenção na fonte com caráter definitivo, o imposto é normalmente tratado pela entidade responsável ou pela intermediação, o que significa que o investidor não terá de declarar esse rendimento novamente no IRS.
Já no caso de fundos estrangeiros, pode existir a necessidade de declarar os rendimentos obtidos no estrangeiro na declaração de IRS. A Autoridade Tributária disponibiliza regras específicas para a declaração de rendimentos provenientes do estrangeiro, pelo que o tratamento deve ser confirmado de acordo com o país de origem do fundo e a situação concreta do investidor.
Vale mais a pena investir ou deixar o dinheiro parado na conta?
Deixar o dinheiro numa conta à ordem é importante para o que precisa de ter disponível para despesas e imprevistos, mas , manter todas as poupanças paradas pode não ser a melhor estratégia a longo prazo, sobretudo quando o dinheiro não é necessário no curto prazo.
Ao decidir o que fazer com as suas poupanças, é importante considerar:
- Quanto dinheiro precisa de ter imediatamente acessível;
- Para que pretende utilizar o dinheiro e quando;
- Durante quanto tempo pode manter o dinheiro investido;
- Quanto está disposto a aceitar que o valor do investimento possa variar;
- Qual o potencial de valorização da solução escolhida;
- Que custos podem reduzir o retorno obtido.
Investir também não significa colocar todas as poupanças no mercado. É importante manter uma reserva para despesas e necessidades de curto prazo e, só depois, avaliar que parte do património pode ser investida de acordo com os seus objetivos e perfil de risco.
Para quem está interessado em fazer um investimento, mas não sabe como nem por onde começar, o ABANCA Personal Banking disponibiliza um assessor pessoal, o que lhe permite analisar as opções disponíveis de acordo com o seu perfil e os respetivos objetivos.